Aeronaves
Aeroportos
Colunas
Economia & Administração
Editorial
Entrevistas
Planejamento Estratégico
Projetos & Pesquisas
Recursos Humanos
Regulamentação e Políticas Públicas
Tecnologia da Informação
Turismo
Radar
Acidente do vôo 3054 da TAM.
Clique aqui.
Busca
Busca de conteúdos do site através de palavra.
Cadastro
Para ter acesso a alguns conteúdos do site, será necessário cadastrar-se. Clique aqui.
Indique o Site

Visitantes on-line

TRANSBRASIL, VASP, VARIG E, AGORA, BRA.  O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM A AVIAÇÃO COMERCIAL NO PAÍS? por Vladimir L. Silva

É interessante notar que nos últimos tempos temos assistido perplexos aos acontecimentos do setor aéreo comercial no Brasil.  Somos pegos de surpresa por crises, “apagões”, acidentes extremamente lamentáveis, queda de aviões e também de empresas de linhas aéreas.

De maneira geral, os especialistas têm relativa noção dos graves problemas porque passa o setor.  Mas os especialistas não têm o poder de decisão em suas mãos.  Cabe então apenas alertar sobre o que pode vir a acontecer...  E eles têm feito isso.

É notória a deficiência de infra-estrutura no Brasil e a total falta de compreensão do setor de aviação por parte de nossos governantes.

O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, tão logo assumiu o cargo, resolveu tomar medidas drásticas para arrumar a casa: 

#1 - Aumento do espaço entre as poltronas; e #2 - Poltronas especiais para indivíduos um pouco mais corpulentos. 

Não bastasse isso, afirmou que priorizaria a segurança e que as empresas teriam de se enquadrar, inclusive, alterando a malha.

Ora, o problema é que os assessores do Ministro esqueceram de dizer a ele que para aumentar o espaço entre poltronas é preciso parar a aeronave, deixá-la em solo, reconfigurá-la e, claro, gastar um bom dinheiro.  Esqueceram de dizer que uma cadeira especial tem de ser encomendada em algum lugar do mundo!  Ou alguém aqui está pensando que essa poltrona existe e que é possível comprá-la em qualquer esquina?  Passou pela cabeça de algum assessor do ministro que existem peso, cabeamento, sistemas elétricos e um cem número de itens a considerar quando é feita uma mudança como essa.

Fico querendo entender como uma empresa aérea pode, de uma hora para outra, realocar tripulações, bases, equipamentos, aeronaves. Querendo entender como uma empresa de handling ou catering pode fazer o mesmo.

Medidas como essas parecem transferir para a iniciativa privada toda a culpa pelos anos de inanição do poder público.

Agora, e quanto a ANAC.  Que tal a Agência publicar as informações trimestrais e os anuários econômicos?  Alguém sabe onde foram parar os balanços e demonstrativos de resultados das companhias não publicados desde o ano de 2005?
Que tal o Sr. Ministro tomar uma medida drástica, como por exemplo, fazer com que a ANAC torne público os dados financeiros das companhias?  Que tal a ANAC divulgar os indicadores de desempenho (pontualidade, regularidade e eficiência) das empresas aéreas?  Que tal a ANAC começar a verificar se existem empresas regulares realizando vôos sem Hotran? Que tal aparelhar a ANAC e dotá-la de pessoal suficiente para realizar suas funções? Que tal parar de enviar técnicos (engenheiros, administradores, arquitetos, estatísticos etc.) a plantões em SACs em aeroportos e deixá-los servir onde realmente são necessários?

A verdade é que muita coisa precisa mudar internamente na Agência e medidas de embelezamento não contribuem em nada para enfrentar problemas estruturais.

As empresas aéreas estão emperradas e espremidas.  A BRA já vinha dando claros sinais de dificuldades.  Diminuição do número de cidades servidas, indicadores de regularidade e de eficiência operacional abaixo dos 40% no mercado doméstico (junho/07) e cancelamento de vôos.

Quanto às informações financeiras da companhia, a ANAC não tem divulgado os dados, portanto, consumidores não têm a mínima idéia do que está acontecendo nos bastidores.  Mas fica muito óbvio que a situação já era conhecida pela Agência e não há razão alguma para que nossos administradores públicos fiquem posando como que pegos de surpresa.  É uma obrigação da empresa aérea enviar seus relatórios financeiros para a Agência.  Ora, se a ANAC tem o poder de fiscalizar, regular e até de mandar trocar poltrona em aeronave, não é uma informação financeira que ela não tem acesso.  É claro que a ANAC sabia da situação da BRA, cabia a ela apenas montar estratégias de ação.  Mas estratégia requer planejamento e isso já é uma outra história...

 

Num retrospecto do ano de 2007, pode-se perceber que a BRA vinha tentando mudar seu foco de atuação para a região sul-sudeste.

Em janeiro, realizava vôos para diferentes estados do nordeste com a nítida característica de atuação na tríade Brasília, São Paulo e Salvador. Uma aeronave chegava a realizar até 06 ligações de cidades (trilho). Um exemplo disso foi o vôo 1070 (São Paulo-Goiânia-Brasília-Salvador-Aracajú-Maceió) ou o vôo 1062 (São Paulo-Rio de Janeiro-Belo Horizonte-Salvador-João pessoa-Natal).

Em julho, esses vôos já não mais eram efetuados pela companhia, dando lugar a uma operação baseada em trechos de maior demanda, porém, de grande concorrência. Em janeiro de 2007, a BRA realizava operações em 43 trilhos. Em fevereiro passou a operar em 45. Nos meses subsequentes, a operação se fez, respectivamente, por meio de 45 trilhos (março e abril), 37 (maio e junho), 74 (julho), 58 (agosto e setembro) e 29 (outubro).

No mercado doméstico, o mês de julho revelou uma presença bastante significativa tanto em termos de frequência, quanto de número de assentos. Foi o mês em que a BRA atuou de maneira marcante em cidades como Caxias do Sul, Porto Alegre e Curitiba. Já os seus vôos internacionais para Madri e Lisboa, que em janeiro tinham como origem a cidade de São Paulo, ganharam mais um ponto de partida, a cidade de Recife, em março.

Trilhos percorridos pela BRA em janeiro:

Freq_Sem
Arpt1
Arpt2
Arpt3
Arpt4
Arpt5
Arpt6
4
Brasília
Belo Horizonte
São Paulo
-
-
-
4
Brasília
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Porto Alegre
-
2
Brasília
São Luís
Belém
Brasília
-
-
3
Brasília
Teresina
São Luís
Brasília
-
-
3
Brasília
Rio de Janeiro
São Paulo
-
-
-
2
Brasília
Rio de Janeiro
São Paulo
-
-
-
1
Brasília
São Paulo
-
-
-
-
1
Brasília
São Paulo
-
-
-
-
2
Corumbá
Campo Grande
São Paulo
-
-
-
4
Fortaleza
Juazeiro do Norte
São Paulo
-
-
-
4
Goiânia
São Paulo
-
-
-
-
1
Lisbon
Madrid
Rio de Janeiro
São Paulo
-
-
5
Maceió
Aracajú
Salvador
Brasília
Goiânia
São Paulo
1
Madrid
Lisbon
São Paulo
Rio de Janeiro
-
-
5
Natal
João Pessoa
Salvador
Belo Horizonte
Rio de Janeiro
São Paulo
2
Petrolina
Salvador
São Paulo
-
-
-
1
Porto Alegre
Curitiba
São Paulo
Rio de Janeiro
-
-
4
Porto Alegre
Curitiba
São Paulo
Rio de Janeiro
Brasília
-
1
Porto Alegre
Curitiba
São Paulo
-
-
-
2
Recife
Salvador
São Paulo
-
-
-
3
Recife
Salvador
São Paulo
-
-
-
1
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Porto Alegre
-
-
1
Rio de Janeiro
São Paulo
Madrid
Lisbon
-
-
4
São Paulo
Juazeiro do Norte
Fortaleza
-
-
-
3
São Paulo
Goiânia
-
-
-
-
3
São Paulo
Salvador
Recife
-
-
-
2
São Paulo
Campo Grande
Corumbá
-
-
-
6
São Paulo
Rio de Janeiro
Belo Horizonte
Salvador
João Pessoa
Natal
4
São Paulo
Belo Horizonte
Brasília
-
-
-
6
São Paulo
Salvador
Recife
Fortaleza
-
-
1
São Paulo
Rio de Janeiro
Brasília
Goiânia
-
-
1
São Paulo
Porto Alegre
-
-
-
-
1
São Paulo
Porto Alegre
-
-
-
-
2
São Paulo
Salvador
Paulo Afonso
Petrolina
-
-
2
São Paulo
Brasília
-
-
-
-
2
São Paulo
Vitória
-
-
-
-
5
São Paulo
Rio de Janeiro
Brasília
-
-
-
2
São Paulo
Salvador
Recife
-
-
-
1
São Paulo
Rio de Janeiro
Lisbon
-
-
-
6
São Paulo
Goiânia
Brasília
Salvador
Aracajú
Maceió
1
São Paulo
Vitória
-
-
-
-
2
Vitória
São Paulo
-
-
-
-
1
Vitória
São Paulo
-
-
-
-

 

Trilhos percorridos pela BRA em outubro

Freq_Sem
Arpt1
Arpt2
Arpt3
Arpt4
5
Aracajú
Salvador
Brasília
-
5
Belém
Rio de Janeiro
São Paulo
-
5
Brasília
Fortaleza
Natal
Brasília
1
Brasília
São Paulo
-
-
5
Brasília
Salvador
Aracajú
-
5
Brasília
Recife
João Pessoa
Brasília
6
Brasília
Rio de Janeiro
-
-
5
Brasília
São Paulo
-
-
5
Fortaleza
Juazeiro do Norte
São Paulo
-
1
Lisbon
Madrid
Recife
São Paulo
5
Madrid
São Paulo
-
-
6
Natal
João Pessoa
Salvador
São Paulo
6
Porto Alegre
São Paulo
-
-
6
Porto Alegre
Rio de Janeiro
-
-
6
Recife
São Paulo
-
-
5
Rio de Janeiro
Brasília
-
-
1
Rio de Janeiro
Brasília
-
-
1
Rio de Janeiro
São Paulo
-
-
6
Rio de Janeiro
Porto Alegre
-
-
6
São Paulo
Recife
-
-
1
São Paulo
Recife
Madrid
Lisbon
6
São Paulo
Porto Alegre
-
-
5
São Paulo
Rio de Janeiro
Belém
-
5
São Paulo
Madrid
-
-
5
São Paulo
Juazeiro do Norte
Fortaleza
-
5
São Paulo
Brasília
-
-
1
São Paulo
Rio de Janeiro
-
-
1
São Paulo
Brasília
-
-
6
São Paulo
Salvador
João Pessoa
Natal

 

O encolhimento da BRA foi certamente identificado pelo órgão regulador, mas a preocupação ainda é a de dizer que as empresas aéreas são as vilãs. Não quero dizer que a atuação das aéreas seja isenta de críticas ou de culpa, mas o esforço de culpá-las é sem dúvida uma aberração descomunal. Devemos fazer a nossa lição de casa primeiro.

 

Vladimir L. Silva
Vice-Presidente e Diretor Financeiro
Instituto CEPTA

 

 

 


 

Documento sem título
©2007-CEPTA
Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo

Powered: